24 outubro, 2009

Cicloativismo e consciência coletiva

Olhem bem para a fotinha aí de cima. Essa imagem está mostrando um dentre outros vários ferimentos sofridos pela minha irmã em um acidente envolvendo bicicleta. O interessante é que ela nem anda de bicicleta. As lesões que incluiem ainda um corte profundo na perna e luxações no braço direito foram causadas por um atropelamento. O ciclista vinha de seu trabalho correndo, ainda com o uniforme de trabalho, embora sem nenhum EPI (Equipamento de Proteção Individual) e sem nenhum dispotivo de frenagem em sua bike, a qual provavelmente era um modelo barra-forte, muito difundido na cidade de Rio Grande. O ocorrido me levou a refletir sobre alguns aspectos associados ao cicloativismo.
O cicloativismo é algo muito legal e no tange à iniciativa em si. Contudo, percebo que as pessoas preocupadas "formalmente" com a disseminação da bicicleta não são de fato a grande maioria de usuários dessas máquinas maravilhosas. Onde pretendo chegar com este raciocínio? A bicicleta, como é o caso de Rio Grande, não é usada por consciência ecológica, preocupação com a saúde ou outros motivos nobres. Pelo contrário, seu uso é imposto pela necessidade financeira e ausência de modais de transportes mais justos economicamente. A consequência desastrosa da combinação desses fatores é o acumulo cada vez maior de ciclistas desrespeitando trânsito, sendo obrigados a se deslocar sobre os espaços destinados ao carros, incluindo trechos de estradas federais e estaduais, também repletas de caminhões que se dirigem ao superporto. Junta-se a este grupo as pessoas que resolvem fazer suas caminhadas diárias (de lazer, para a escola ou para o trabalho) pelos acostamentos dessas vias.
No caso de minha irmã, ela estava saindo de seu trabalho. Se obrigava a atravessar uma estrada pessimamente sinalizada para chegar à parada do ônibus. Para a surpresa dela, um ciclista em alta velocidade apareceu traçando um caminho aleatório e imprevisível. Confusa e tentando sair da frente do veículo, não conseguiu escapar e foi atingida frontalmente. O choque causado pelo atropelamento arremessou ela alguns metros, rasgou sua calça, arrancou seus brincos, entortou os anéis em uma de suas mãos, fez um corte em uma de suas pernas e perfurou sua cabeça, na altura da nuca, até o osso.
Será que basta ter mais bicicletas, mesmo sem haver ciclovias? Será que basta ciclovias, mesmo sem haver educação e conscientização para as classes menos privilegiadas? E, será que basta tudo isso sem considerar a bicicleta como mais um meio de transporte (existe uma legislação de direito, mas não, de fato), que deve respeitar a leis de transição da mesma forma que outros modais de transporte?
Cabe a reflexão.
Abração a todos e até o próximo post!!

16 outubro, 2009

Velódromo no RS

Aqui vai um post bem curto e rápido. Para quem pensa que no Rio Grande do Sul não existe velódromo algum, existe um sim, na cidade de Rio Grande, onde nasci. Seriam dois, mas POR FAVOR, não vamos chamar aquilo que tem no Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, de velódromo, ok??
Procurei fotos aéreas legais, mas não achei nenhuma (só essa apresentada no post, do Google Earth). O velódromo possui 400metros de circunferência, cabeceiras inclinadas a aproximadamente 40 graus, piso em asfalto ainda bem conservado (um bom tombo causa arranhões surpreendentes :-)) ), uma pista em terra em volta para o pessoal fazer caminhadas, e está dentro de uma praça fechada a cerca de 10 anos. Há ainda dois campos de futebol profissional, uma quadra de basquete em asfalto, duas quadras de futebol de salão em asfalta, uma quadra de volei de praia, um ginásio umas 200o pessoas, uma praça para as crianças e, vale citar aqui, um ninho de corujas constantemente vigiado pelos guardinhas e a população. :-))
Cabe ressaltar que, "diz a lenda", a praça surgiu a partir do terreno doado por uma família à comunidade riograndina. Daí o seu nome: Praça Saraiva. Depois que fecharam a praça acabaram as depredações, as quais eram constantes e incluiam também estupros, venda e consumo de dogras e ocultação de materiais roubados. Ou seja, às vezes vale à pena mesmo cercar os parques, embora isso pareça à primeira vista algo pouco inteligível. Minha mãe mora bem em frente, e o lugar é lindo e sempre cheio de crianças aos finais de semana. Irronicamente, a única coisa que não vejo por lá são provas de ciclismo. Quando tinha meus 8 ou 10 anos ía lá assistir algumas provas e queria até correr. Mas, depois, devido aos inconvenientes que citei acima, nunca mais houve nada, e mesmo depois da recuperação e fechamento do local continuou não havendo. Vale à pena, quando alguém for a Rio Grande, ir lá visitar o local.
Enfim, tudo leva a pensar na vergonha evidente de Porto Alegre, que mesmo tendo uma população 5 ou 6 vezes maior que a de Rio Grande, e um número de competidores extremamente maior, ainda força seus ciclistas a mendigarem um espaço para competir na rua, junto aos carros e pedestres, quando desejam fazer um evento.
Abração a todos e até o próximo post!!

12 outubro, 2009

Competição de reclinadas em PoA

Mais uma data histórica para o ciclismo reclinado. E dessa vez eu estava lá fazendo parte desse momento legal. No último domingo, 11 de Outubro, realizou-se a 3ª etapa do 2° Circuito Vale dos Sinos de Ciclismo em Porto Alegre. Quem estava à frente da organização era Eduardo Carlos Kohlrausch. Em Porto Alegre tivemos a parceria do pessoal do PoaBikers, que conseguiu descontos promocionais para seus associados. O evento contou com a participação de ciclistas de diversos locais do estado, e contou com diversas categorias incluindo, pela primeira vez, as reclinadas.
Já tivemos dois eventos nos quais as reclinadas haviam marcado presença em Porto Alegre. O primeiro foi uma competição de contra-relógio realizada em Setembro de 2008 (veja um texto sobre ele aqui) e o segundo foi a corrida australiana, realizada em Novembro de 2008, da qual podem ser conferidas fotos aqui.
Segundo os organizadores da etapa de Porto Alegre da Copa União de Ciclismo, esta abertura de espaço serviria como um teste para avaliar se as reclinadas de fato poderiam entrar definitivamente nos eventos promovidos por eles.
Percebia-se antes da corrida que parecia haver um certo receio por parte da equipe organizadora quando ao desempenho das reclinadas. Eles temiam baixas velocidades da categoria, o que para eles, poderia tomar um tempo excessivo no cronograma acarretando em atraso. Isso os levou a nos permitir realizar apenas uma volta do circuito de aproximadamente 7200m. Curiosamente, o Artur e o Klaus acabaram chegando À FRENTE até mesmo do pelotão de bikes speeds, que havia largado um minuto antes dos reclineiros.
Participaram da corrida 5 reclineiros, que já estão listados aqui por ordem de chegada:

Artur Carneiro
Klaus Volkman
Raul Sanvicente
Olavo Ludwig
Luis Franz

De minha parte, a última posição não pareceu um problema ou novidade devido ao fato de que aprontei a bike há pouco tempo. Também não tenho pedalado o bastante ainda para quem quer participar de qualquer prova ciclística. Pelo contrário, me sinto mais um vencedor do que um perdedor, por ter contribuído para mais essa conquista do ciclismo reclinado nacional. A visibilidade obtida pela nossa participação neste evento serviu como ponto de partida para as próximas provas de ciclismo que ocorrerão no interior do estado. Os organizadores se mostraram satisfeitos com nossa presença e lançaram o convite para que reclineiros estejam presentes em provas futuras.
Segue abaixo os dados do meu desempenho durante a corrida.

Distância total: 7.520 m
Velocidade média: 27,6 km/h
Máxima: 35,9 Km/h
Tempo total em movimento: 00:16:26

Bom!! Era isso!! Apreciem as fotos que arrecadei a partir de alguns links do pessoal que estava presente lá no evento. Me permitirei adicionar mais algumas nos próximos dias, conforme for achando-as pela web.

Abração e até o próximo post.

03 outubro, 2009

Pedal reclinado até o Aeroclube


Hoje comecei a fazer umas puxadas um pouco mais longas na HR24. Para tanto, resolvi repetir um pedal que havia feito até o Aeroclube de Porto Alegre alguns anos atrás (confira clicando aqui). Estou com um tosse daquelas de cachorro e mesmo assim não resisti a tentação de fazer o passeio. Às 06h00 pulei da cama, troquei de roupa e fui tomar um café em um posto de gasolina. Às 06h40 arranquei rumo à zona, ainda cruzando por gente visivelmente entorpecida voltando das festas. A lei seca parece ter se transformado em mais uma piada, assim como tantas outras iniciativas neste país. Mais uma vez, o passeio foi solicitário em sua maior parte. Já no final, ao chegar na Avenida Beira Rio, encontrei o Raul fazendo um treino em sua M5. O resultado foi que acabamos fazendo algumas voltas adicionais próximo à Usina do Gasômetro e batendo um bom e longo papo até quase 11h30 da manhã.


Para quem quiser conhecer o Aeroclube e a zona sul de Porto Alegre, recomendo um pedal como o que eu fiz. A paisagem é legal, o passeio bem cedinho é tranquilo e as máquinas que a gente encontra lá são muito interessantes (conforme pode-se apreciar pelas fotos).



Dados do pedal
Distância total: 57km
Velocidade média: 17,8 km/h
Máxima: 54,4Km/h
Tempo total em movimento: 3h12min


Ok??!!
Abração e até o próximo post!!