02 maio, 2007

Teoria ou prática

No último final de semana estive em minha cidade natal. Estava louco para matar as saudades de minha querida mãe. Porém, como de costume e inevitavelmente, acabei também matando a curiosidade quanto às invensões do meu irmão mais velho, um reclineiro de carteirinha. Um cabelereiro por profissão, mas que teria se tornado um ótimo engenheiro e projetista se tivesse seguido sua vocação. O resultado foi que experimentei uma de suas bikes. A bicicleta ficou boa e confesso que não perde em conforto e geometria para algumas reclinadas "não-artesanais" que andei experimentando em minhas experiências reclinescas.
O ponto fraco de suas reclinadas e ponto de profundas discussões nossas é o peso. Meu irmão tem forte preocupação com o risco de acidentes que possam ser causados pela eventual quebra de algum componente. O resultado são bicicletas muito fortes e que acabam ficando um pouco pesadas. Contudo, algumas soluções já estão sendo providenciadas por ele, incluindo a construção de um banco de fibra-de-vidro, o qual começamos a fazer juntos no final de semana.
Acho que a maior lição que aprendo quando vejo e pedalo suas bikes é que devemos, muitas vezes, abandonar nosso Auto CAD, nossas calculadoras e nossas divagações com respeito a nossos projetos. A diferença entre nossas idéias sobre reclinadas reside extamente entre a teoria e prática. Se eu tivesse construído todas as bicicletas que já imaginei e desenhei, certamente não teria mais espaço onde guardá-las, o que me torna um ótimo teórico sobre o assunto. Contudo, meu irmão já construiu 3 reclinadas, as quais mesmo não sendo prodígios tecnológicos, ficaram boas e que certamente já somaram mais de 1500km de pedaladas sem fissuras ou empenamentos típicos de algumas reclinadas presentes no mercado brasileiro. Esses projetos, muitas vezes tiveram suas formas extraídas direto da cabeça de meu irmão para a serra policorte e o eletrodo de solda. Ou seja, ele é um ótimo prático. Certamente, nenhum dos dois extremos está certo, contudo me sentiria mais a vontade estando mais próximo do extremo prático. Como acadêmico e pesquisador, tentarei lembrar deste aspecto e levar tal aprendizado para meu meio de trabalho.
Quanto às bikes de meu irmão, a quem interessar experimentá-las, basta ir a Rio Grande. Não duvido que você acabe, inclusive, encomendando a construção de uma :-)). De quebra, o visitante irá se surpreender com o elevado número de bicicletas e bicicletários espalhados pela cidade, e até mesmo ver outras invensões intrépidas, como uma tentativa de cópia de uma Strida, à qual não consegui chegar perto mas vi circulando pela cidade.
Desculpem as poucas postagens. E não deixem de passar aqui pelo blog de vez em quando.
Abraços a todos, e até o próximo post!!