Olhem bem para a fotinha aí de cima. Essa imagem está mostrando um dentre outros vários ferimentos sofridos pela minha irmã em um acidente envolvendo bicicleta. O interessante é que ela nem anda de bicicleta. As lesões que incluiem ainda um corte profundo na perna e luxações no braço direito foram causadas por um atropelamento. O ciclista vinha de seu trabalho correndo, ainda com o uniforme de trabalho, embora sem nenhum EPI (Equipamento de Proteção Individual) e sem nenhum dispotivo de frenagem em sua bike, a qual provavelmente era um modelo barra-forte, muito difundido na cidade de Rio Grande. O ocorrido me levou a refletir sobre alguns aspectos associados ao cicloativismo.O cicloativismo é algo muito legal e no tange à iniciativa em si. Contudo, percebo que as pessoas preocupadas "formalmente" com a disseminação da bicicleta não são de fato a grande maioria de usuários dessas máquinas maravilhosas. Onde pretendo chegar com este raciocínio? A bicicleta, como é o caso de Rio Grande, não é usada por consciência ecológica, preocupação com a saúde ou outros motivos nobres. Pelo contrário, seu uso é imposto pela necessidade financeira e ausência de modais de transportes mais justos economicamente. A consequência desastrosa da combinação desses fatores é o acumulo cada vez maior de ciclistas desrespeitando trânsito, sendo obrigados a se deslocar sobre os espaços destinados ao carros, incluindo trechos de estradas federais e estaduais, também repletas de caminhões que se dirigem ao superporto. Junta-se a este grupo as pessoas que resolvem fazer suas caminhadas diárias (de lazer, para a escola ou para o trabalho) pelos acostamentos dessas vias.
No caso de minha irmã, ela estava saindo de seu trabalho. Se obrigava a atravessar uma estrada pessimamente sinalizada para chegar à parada do ônibus. Para a surpresa dela, um ciclista em alta velocidade apareceu traçando um caminho aleatório e imprevisível. Confusa e tentando sair da frente do veículo, não conseguiu escapar e foi atingida frontalmente. O choque causado pelo atropelamento arremessou ela alguns metros, rasgou sua calça, arrancou seus brincos, entortou os anéis em uma de suas mãos, fez um corte em uma de suas pernas e perfurou sua cabeça, na altura da nuca, até o osso.
Será que basta ter mais bicicletas, mesmo sem haver ciclovias? Será que basta ciclovias, mesmo sem haver educação e conscientização para as classes menos privilegiadas? E, será que basta tudo isso sem considerar a bicicleta como mais um meio de transporte (existe uma legislação de direito, mas não, de fato), que deve respeitar a leis de transição da mesma forma que outros modais de transporte?
Cabe a reflexão.
Abração a todos e até o próximo post!!




















